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Ao natural

Vinhos naturais: uma onda que começou em alguns dos maiores mercados do mundo do vinho, como Londres, Tókio, NY, e hoje reverbera pelo mundo. Há pouca intervenção do homem e muita expressão da terra, nessa categoria. Ainda carente de uma definição estipulada legalmente, é difícil colocar em uma só categoria a diversidade de naturais que existem pelo mundo afora. O que podemos dizer dessa seleção é que os vinhos foram feitos por pessoas que amam e respeitam o seu terroir tão intensamente que jamais deixariam alguma falta ou defeito roubar a cena. Esses 3 são perfeitamente vinificados por mestres da enologia, e grandes interpretes da terra. A cada gole, você vai ser transportado para os respectivos terroirs de origem, sem intervenções.

Filipa Pato Nossa Calcário Branco 2015 93 Robert Parker João Paulo Martins em seu livro alarma os leitores sobre os riscos do reconhecimento, “à data das provas (Julho) a produtora não tinha, independente do tipo, uma garrafa em stock para vender”. Ela que é filha de Luís Pato, produtor lendário da Bairrada, nasceu com a enologia no seu sangue mas nunca se acomodou. De inteligência inquieta, foi ao mundo buscar novas perspectivas e experiências. Passou por clássicos do Velho e Novo Mundo, como Leeuwin Estate, Austrália, e Château Cantenac Brown de Bordeaux. Filipa Pato, em seu projeto junto a seu marido, explora somente castas autóctones da região e associa a tradição com um pensamento progressivo para vinifica-las. Entre as vinhas, a filosofia é biodinâmica. Na adega, Filipa é purista, e não aplica “maquiagem” aos seus vinhos - como ela se refere. Esse branco é um varietal de Bical, nascido em calcário, célebre solo conhecido por dar vida aos melhores brancos e tintos do mundo, como Borgonhas, Barolos, Champagne, entre outros.

Skerk Vitovska 2015 O Friuli hoje é um dos berços dos vinhos laranjas, mérito do esforço e coragem de Josko Gravner que mudou por completo seu approach a vinificação convencional, revolucionando sua adega com ânforas e uma cultura de mínima intervenção, de forma nada convencional naquele momento da história. Sandi Skerk é uma ótima porta de entrada para os interessados a explorar o mágico mundo dos vinhos laranjas, por sua delicada e sutil interpretação do estilo. O fato de Skerk usar madeira antiga para fermentar e envelhecer os vinhos ao invés de ânforas, agrega um caráter mais redondo e sedoso, de muita harmonia. Para o caráter laranja, macerações de em média 30 dias acontecem. Ao final, esse é um vinho etéreo, de sedosa fruta de caroço e cítricos, delineadas por puro caráter mineral.

Jean-Paul Thevenet Morgon Vieilles Vignes 2015 94 Vinous Demorou mas chegou o reconhecimento que Beaujolais sempre mereceu. A Gamay teve uma história sofrida: primeiro foi expulsa da Côte d’Or, e depois a onda de produção em massa dos Beaujolais Nouveau convenceram erroneamente o público de que essa casta somente resultaria em vinhos sem seriedade. Quem nunca provou Cru Beaujolais, de qualquer um dos 10 crus especificados, seja Morgon como um Fleurie, de um belo produtor, não sabe o que está perdendo. E mais, pelo preço de três ou mais garrafas de Cru Beaujolais, o prazer muitas vezes é maior do que aquele que se encontra dentro de uma garrafa de Borgonha. Jean Paul Thévenet é parte da “Gang dos 4”, termo conado pelo lendário importador americano Kermit Lynch. O grupo é reconhecido por aplicar os mais altos níveis de qualidade, mas também pela revolução de vinhos naturais que começaram. A “regra” é simples: menos é mais. A Gang foi buscar na tradição - e nos princípios do mestre Jules Chauvet - a resposta para a criação de vinhos autênticos e que falam do seu lugar de origem claramente. Nos vinhedos, qualquer input de químicos foi cortado. A preferência é por trabalhar com vinhas velhas, e uma colheita um pouco mais tardia e manual, para garantir a intensidade e concentração que só os melhores vinhos do mundo têm. Na adega, leveduras naturais do terroir, sem quaisquer adições e tampouco filtragens. Outro segredo está em uma técnica de fermentação diferente, conhecida como à l’ancienne, é diferente da maceração 100% carbônica por ser mais longa e fria, e seu resultado é incontestavelmente superior. Os vinhos não possuem aquele caráter pejorativo associado aos Beaujolais de massa, como aromas sintéticos, de banana ou mesmo chiclete. No final, temos uma Gamay séria, de estrutura e finesse, mas de autêntica suculência. Sem falar na complexidade, que é transmitida diretamente do solos graníticos que só os crus ostentam em Beaujolais. Esse Morgon é de tal intensidade, concentração e mineralidade como um grande Borgonha. É tão nobre que estagia em carvalho adquiridos de Domaine de la Romanée-Conti e ostenta finesse a cada gole. Beba agora ou guarde por uma década, o prazer vai ser o mesmo. A Vinous descatou esse vinho e nas palavras do crítico Josh Raynolds: “Thévenet é consistentemente um dos grandes produtores de Beaujolais e em 2015 produziu um dos monumentos da safra.”


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